O Mistério do Prédio Azul

Por Manuela de Ávila Alvarenga e Emanuelly Cristina Oliveira Silva - 5º C

Capítulo 1

Yuna morava no apartamento 135, no terceiro andar de um prédio azul. Toda noite, quando a lua subia entre os prédios, um miado cortava o silêncio do bairro. Não era um miado de gato com fome, nem de gato querendo sair. Era um som fino, que doía de ouvir, vindo do apartamento 137, no quarto andar.
"Será que ele está preso em algum lugar?", perguntou Yuna para a janela, uma noite de terça-feira.
O gato da vizinha do 4º andar era cinza, com uma mancha branca no peito que parecia uma nuvem pequena. Yuna o via às vezes, deitado na sacada, sem forças nem para levantar a cabeça. A vizinha, uma mulher de cabelo curto e óculos escuros, nunca deixava ninguém chegar perto.
Na escola, no dia seguinte, Yuna reuniu seus amigos no pátio.
"Precisamos fazer alguma coisa", disse ela, apertando a mochila contra o peito. "Aquele gato está sofrendo."
Pedro, que tinha o cabelo cacheado e sempre carregava uma lanterna no bolso, concordou com a cabeça. Cloé, que era mais alta que todos e lia livros de detetive, cruzou os braços.
"Mas como?", perguntou Cloé. "Não podemos simplesmente invadir a casa dela."
Yuna olhou para os dois. Um plano começou a riscar em sua mente, como quando ela desenhava nos cadernos.
"Um clube", anunciou. "Um clube de investigação. O... Yupeclo!"
"Yupeclo?", Pedro riu. "De onde veio isso?"
"De Yuna, Pedro, Cloé", explicou ela, orgulhosa. "As iniciais!"

Capítulo 2

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O problema era onde se encontrar. O apartamento de Yuna era pequeno demais. O de Cloé tinha um cachorro que latia para tudo. Só sobrou a casa de Pedro e Cloé, que ficava em outro prédio, do outro lado da rua. Dali, com um binóculo emprestado do tio de Pedro, dava para enxergar direitinho a sacada do 137.
Na primeira reunião do Yupeclo, os três se espremiam no quarto de Pedro, revezando o binóculo na janela.
"Ela acabou de sair", sussurrou Pedro, entregando o instrumento para Yuna.
Yuna olhou. A vizinha estava na sacada, segurando o gato cinza pelo pescoço. De repente, ela deu um tapa na cabeça do bichano. O gato se encolheu, mas não fugiu. Parecia que já não tinha forças para isso.
Yuna sentiu algo quente subir pela garganta. Era uma mistura de raiva e medo, um fogo que fazia suas mãos tremerem.
"Chama a polícia!", ela gritou, largando o binóculo na cama.
"Não", Cloé segurou seu braço. A menina estava pálida, mas firme. "Não temos provas concretas. A polícia não vai acreditar em três crianças com um binóculo."
Yuna queria discutir, mas sabia que a amiga tinha razão. A frustração apertou seu peito, como quando ela não conseguia resolver uma conta de matemática difícil.
"Então vamos conseguir provas", disse Yuna, secando uma lágrima que não pedira licença para aparecer.

Capítulo 3

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Na noite seguinte, o Yupeclo voltou à posição. Desta vez, Pedro trouxe o celular antigo da mãe, com câmera e tudo.
"Se ela fizer de novo", disse Cloé, "a gente filma. Sem barulho, sem chamar atenção."
Ela fez. A vizinha bateu no gato. E bateu de novo. Pedro segurou o celular com as duas mãos, tentando manter a respiração calma. O vídeo ficou tremido no começo, mas depois estabilizou. Dava para ver tudo. Dava para ouvir o miado de dor, agora gravado para sempre.
Quando a vizinha olhou para o prédio de Pedro, Yuna sentiu o coração parar por um segundo.
"Deita!", sussurrou Cloé, puxando os dois para baixo da janela.
Os três ficaram no chão, rindo de nervoso, com as pernas bambas. Yuna sentia o medo gelado na barriga, mas também uma coragem nova, quente, crescendo ao lado.

Capítulo 4

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Na manhã seguinte, o Yupeclo mostrou o vídeo para a mãe de Pedro e Cloé. A mulher assistiu em silêncio, com a mão na boca. Depois, ligou para a polícia.
A vizinha do 4º andar foi levada no carro preto e branco. Não gritou, não chorou. Só olhou para o prédio com uma expressão que Yuna não conseguiu entender. O gato cinza, a nuvem pequena, foi entregue aos bombeiros, que disseram que cuidariam dele até encontrar uma família.
"E se...", Yuna hesitou, olhando para o chão. "E se ele fosse o mascote do Yupeclo?"
Cloé e Pedro se olharam. Depois, sorriram.
O gato — que ganhou o nome de Nevoeiro, por causa da mancha branca no peito — foi adotado pela família de Yuna. Ele nunca mais miou de dor. Às vezes, à noite, ele ronronava alto na cama de Yuna, como se estivesse agradecendo.
O Yupeclo ainda se reúne no quarto de Pedro, mas agora com um membro a mais, que dorme no colo de quem estiver de binóculo. E se alguém perguntar como o clube começou, Yuna diz simplesmente:
"Começou com um miado. Um miado que a gente não deixou esquecido."
E se, em alguma noite escura, outro som de dor chegar pela janela, o Yupeclo estará pronto. Porque mistérios, afinal, nunca acabam de verdade. Só esperam novos olhos corajosos para serem vistos.

FIM


GLOSSÁRIO:
Concretas — coisas que dá para tocar, ver ou provar; não são só ideias na cabeça (Cloé diz que não há "provas concretas", ou seja, provas que dá para mostrar)
Frustração — aquela sensação chata de quando a gente quer algo, mas não consegue fazer acontecer (Yuna sente isso quando sabe que não pode chamar a polícia ainda)
Investigação — quando alguém procura pistas e respostas para entender um mistério (o que o Yupeclo faz)
Mascote — um bichinho ou símbolo que representa um grupo e traz sorte (Nevoeiro vira o mascote do clube)
Ronronar — o som de motorzinho que os gatos fazem quando estão felizes e tranquilos (o oposto do miado triste do começo)